É porque ele tem para mim, num canto da boca
ou num ângulo das pálpebras,
o sinal sagrado dos monstros...
(Jean Genet)
ou num ângulo das pálpebras,
o sinal sagrado dos monstros...
(Jean Genet)
É porque tem o peito estufado, muito elevado mesmo, não sei se por excessivos exercícios ou por drogas. É porque parece falso, de plástico, grande demais. Braços grandes também, não sei medir, algumas tantas dezenas de centímetros de circunferência. Medidas que ele dá, porque gosta de se exibir. É porque ele adora ser forte e respeita apenas os fortes, os que buscam e agüentam a dor. É porque a dor e a força tornam os homens monstros. É porque quer que todos os homens sejam monstros. É porque busca e gosta de ser um monstro.
É porque tem fogo desenhado nas suas pernas, e ostenta a si mesmo nas costas. É porque suas mãos são ásperas e todo o seu corpo, muito pesado. É porque se refere a si mesmo como um animal: um elefante, um cachorro, um urso enorme, peludo, com músculos rasgando-lhe as roupas, mas uma imperfeita e máscula barriga a denunciar a comida, a bebida, a vida selvagem. É porque é um animal que bate e que briga e se mostra nojento e arrogante e tão bobo e tão perspicaz.
É porque ele é um escroto.
É porque ele não sorri à toa e ri feito criança tola. É porque ele dança, conta vantagem, filosofa, condena a mediocridade e a preguiça. É porque sofre na vida. É porque “a felicidade é um homem que não usa camisa”. É porque ele não pertence à massa e não come e não comerá feno. É porque ele sabe conversar. É porque ele dá valor ao que eu digo, e eu digo muito pouco. É porque às vezes ele me conhece. É porque se lembra de mim. É porque ele roubou da minha boca uma confirmação da sua beleza.
É porque eu gosto de alimentar a sua vaidade, dizendo que ele é mesmo tudo o que diz. É porque ele é um rock star. É porque eu sei que ele gosta que eu o admire. É porque ele gosta de provocar o medo e gosta de fazer rir. É porque ele é um lutador, a violência faz brilhar os seus olhos. É porque ele é um pensador, a inteligência lhe doma o coração. É porque tem no olhar o tino de um homem adulto. É porque ele não ignora a minha presença, sempre me nota e procura o que me dizer.
É porque vou vê-lo muito pouco agora.
É porque ele eu amaria como a um dono, um protetor, um carrasco. É porque dele eu apanharia. É porque quero que me bata. É porque eu me submeteria totalmente à sua maldade e ao sofrimento que me causasse. É porque eu me entregaria de bom grado ao céu ou ao inferno que garantisse a sua presença em minha vida. É porque ele não é um desencontro, é uma fatalidade. Minha mais atual e Cortez e voluptuosa tragédia.
(dedicado a alguém que nunca lerá esse texto)
É porque tem fogo desenhado nas suas pernas, e ostenta a si mesmo nas costas. É porque suas mãos são ásperas e todo o seu corpo, muito pesado. É porque se refere a si mesmo como um animal: um elefante, um cachorro, um urso enorme, peludo, com músculos rasgando-lhe as roupas, mas uma imperfeita e máscula barriga a denunciar a comida, a bebida, a vida selvagem. É porque é um animal que bate e que briga e se mostra nojento e arrogante e tão bobo e tão perspicaz.
É porque ele é um escroto.
É porque ele não sorri à toa e ri feito criança tola. É porque ele dança, conta vantagem, filosofa, condena a mediocridade e a preguiça. É porque sofre na vida. É porque “a felicidade é um homem que não usa camisa”. É porque ele não pertence à massa e não come e não comerá feno. É porque ele sabe conversar. É porque ele dá valor ao que eu digo, e eu digo muito pouco. É porque às vezes ele me conhece. É porque se lembra de mim. É porque ele roubou da minha boca uma confirmação da sua beleza.
É porque eu gosto de alimentar a sua vaidade, dizendo que ele é mesmo tudo o que diz. É porque ele é um rock star. É porque eu sei que ele gosta que eu o admire. É porque ele gosta de provocar o medo e gosta de fazer rir. É porque ele é um lutador, a violência faz brilhar os seus olhos. É porque ele é um pensador, a inteligência lhe doma o coração. É porque tem no olhar o tino de um homem adulto. É porque ele não ignora a minha presença, sempre me nota e procura o que me dizer.
É porque vou vê-lo muito pouco agora.
É porque ele eu amaria como a um dono, um protetor, um carrasco. É porque dele eu apanharia. É porque quero que me bata. É porque eu me submeteria totalmente à sua maldade e ao sofrimento que me causasse. É porque eu me entregaria de bom grado ao céu ou ao inferno que garantisse a sua presença em minha vida. É porque ele não é um desencontro, é uma fatalidade. Minha mais atual e Cortez e voluptuosa tragédia.
(dedicado a alguém que nunca lerá esse texto)
(h.l.)
