Não conversavam. Eram palavras vãs que saíam de seus dedos num teclar esporádico e monótono, eram dizeres sem sentido, no mais um grande silêncio, um grande vazio. Os pensamentos batiam com a cara numa porta seminova e um desconfiava que aquele mar onde talvez viesse a querer mergulhar de cabeça era raso demais. Outro não enxergava nada por aquela tela velha do computador. Era tudo só uma neblina.
Pedro tinha muita boa vontade, e alguma esperança. Tolerava, tolerava, tolerava... agüentava o máximo que desse à espera de uma brecha, de um ponto em comum. Mas não disfarçava para si certa frustração quando suas palavras não encontravam eco ou quando não vislumbrava qualquer razão que o instigasse. Uma opinião, um sentimento. luiz tinha medo de suas próprias opiniões e sentimentos, sentia vergonha de expô-los, achava que Pedro não os compreenderia ou riria deles, ainda que só para si. Percebia que Pedro era tudo: bonito, inteligente, sensível, poeta até. Um grande pensador. Por mais que ele dissesse o contrário, luiz sabia que jamais o dominaria, que Pedro jamais se ajoelharia de verdade diante dele pra chupá-lo como ele tanto desejava. Nem mesmo sabia porque aquela conversa já tinha se esticado tanto.
No sexo é que se encontravam. Quando liam as palavras de um e de outro, suas vontades, suas taras, sua falta de limite. luiz queria mijar naquela carne branquinha, socar fundo até o talo e cuspir naquela beleza toda. Pedro se excitava com a brutalidade do outro, a desejava, aquela força burra, sensual e burlesca o fascinava, o fazia contrair repetidamente a flor da bunda e acariciava cada vez mais pesado o pau sob a cueca. Pedro o chamaria de Senhor sem pensar durante o efervescer das veias, sussurraria que é de luiz a sua vida, o seu destino, o seu reles corpo. luiz teria uma nova e reluzente peça na sua coleção.
O problema seria depois. Ambos sabiam que depois do orgasmo sempre haveria a fatalidade da sensatez, a vergonha de um, a subestimação de outro. Luz sobre o pó. Nesse desestímulo de prever os seus depois que luiz, poeira agitada, perguntou se Pedro não se incomodaria de se submeter a alguém “intelectualmente inferior”. Silêncio. “— Por que?”. luiz riu. Silêncio. Um brilho da tela perfurava seu coração: Pedro se encantava. Não era mais com um possível Mestre que conversava, era com um homem, quem sabe um menino. Esqueceu-se um pouco do tédio e do sexo e não decidiu se se esqueceu ou se lembrou de si. “— Claro que não”. E por enxergar algum clarão por aquela porta, Pedro encorajou a troca dos telefones, depois, simpático, se despediu: — Nos falamos, nos vemos em breve, grande abraço, Luiz.
Pedro tinha muita boa vontade, e alguma esperança. Tolerava, tolerava, tolerava... agüentava o máximo que desse à espera de uma brecha, de um ponto em comum. Mas não disfarçava para si certa frustração quando suas palavras não encontravam eco ou quando não vislumbrava qualquer razão que o instigasse. Uma opinião, um sentimento. luiz tinha medo de suas próprias opiniões e sentimentos, sentia vergonha de expô-los, achava que Pedro não os compreenderia ou riria deles, ainda que só para si. Percebia que Pedro era tudo: bonito, inteligente, sensível, poeta até. Um grande pensador. Por mais que ele dissesse o contrário, luiz sabia que jamais o dominaria, que Pedro jamais se ajoelharia de verdade diante dele pra chupá-lo como ele tanto desejava. Nem mesmo sabia porque aquela conversa já tinha se esticado tanto.
No sexo é que se encontravam. Quando liam as palavras de um e de outro, suas vontades, suas taras, sua falta de limite. luiz queria mijar naquela carne branquinha, socar fundo até o talo e cuspir naquela beleza toda. Pedro se excitava com a brutalidade do outro, a desejava, aquela força burra, sensual e burlesca o fascinava, o fazia contrair repetidamente a flor da bunda e acariciava cada vez mais pesado o pau sob a cueca. Pedro o chamaria de Senhor sem pensar durante o efervescer das veias, sussurraria que é de luiz a sua vida, o seu destino, o seu reles corpo. luiz teria uma nova e reluzente peça na sua coleção.
O problema seria depois. Ambos sabiam que depois do orgasmo sempre haveria a fatalidade da sensatez, a vergonha de um, a subestimação de outro. Luz sobre o pó. Nesse desestímulo de prever os seus depois que luiz, poeira agitada, perguntou se Pedro não se incomodaria de se submeter a alguém “intelectualmente inferior”. Silêncio. “— Por que?”. luiz riu. Silêncio. Um brilho da tela perfurava seu coração: Pedro se encantava. Não era mais com um possível Mestre que conversava, era com um homem, quem sabe um menino. Esqueceu-se um pouco do tédio e do sexo e não decidiu se se esqueceu ou se lembrou de si. “— Claro que não”. E por enxergar algum clarão por aquela porta, Pedro encorajou a troca dos telefones, depois, simpático, se despediu: — Nos falamos, nos vemos em breve, grande abraço, Luiz.
(h.l.)
