sábado, 8 de março de 2008

Com açúcar, com afeto



Com açúcar, com afeto,
fiz seu doce predileto
pra você parar em casa, qual o quê

Com seu terno mais bonito,
você sai, não acredito
quando diz que não se atrasa

Você diz que é um operário,
sai em busca do salário
pra poder me sustentar, qual o quê

No caminho da oficina,
há um bar em cada esquina
pra você comemorar, sei lá o quê

Sei que alguém vai sentar junto,
você vai puxar assunto
discutindo futebol

E ficar olhando as saias
de quem vive pelas praias
coloridas pelo sol

Vem a noite e mais um copo,
sei que alegre ma non troppo
você vai querer cantar

Na caixinha um novo amigo
vai bater um samba antigo
pra você rememorar

Quando a noite enfim lhe cansa,
você vem feito criança
pra chorar o meu perdão, qual o quê

Diz pra eu não ficar sentida,
diz que vai mudar de vida
pra agradar meu coração

E ao lhe ver assim cansado,
maltrapilho e maltratado
ainda quis me aborrecer, qual o quê

Logo vou esquentar seu prato,
dou um beijo em seu retrato
e abro os meus braços pra você.



**Chico Buarque**



[As mulheres são seres superiores, há quem diga. De verdade, sua história as torna criaturas comoventes, formidáveis, principalmente este tipo bem comum de nossa sociedade, aquela que espera, que chora, que ama. A dona de casa sempre tão submissa a alguém que quase nunca está à sua altura. Uma situação que sempre comparo a algumas realidades do BDSM, a alguns anseios... Essa dona de casa, essa mulher angustiada a abrir os braços (e as pernas), uma entrega, uma submissão bem próxima a essa que gentes por aí costumam sexualizar e poetizar através das tais quatro letras maiúsculas a permear cabeças tão desejosas de... felicidade. Essa dona de casa, ser superior, talvez símbolo da talvez fatal superioridade da entrega, da submissão.

Um post em homenagem às mulheres que, não fosse um deslize de minha natureza, seriam perfeitas para me trazer o que tanto busco.

Também uma menção a Fernanda Takai, que regravou essa música lindamente, umas das mais supreendentes versões que ouvi, no seu disco solo, Onde Brilhem Os Olhos Seus (h.l.)]

5 comentários:

Abysinto disse...

Creio que não nos cruzamos na internet,encontrei o blog do Sr. ao "passear" por outros blogs e gostei muito deste espaço.Lamento não ter lhe pedido autorização para colocar o link,falha minha.

E sim,a música Fênix é a única do Vercilo que eu gosto.

Saudações,
Abnan.

pensamentosubmisso disse...

É uma música bonita, sem dúvida... mas eu me identifico muito mais com outra de Chico Buarque chamada "Sem Açúcar"


Todo dia ele faz diferente
Não sei se ele volta da rua
Não sei se me traz um presente
Não sei se ele fica na sua
Talvez ele chegue sentido
Quem sabe me cobre de beijos
Ou nem me desmancha o vestido
Ou nem me adivinha os desejos

Dia ímpar tem chocolate
Dia par eu vivo de brisa
Dia útil ele me bate
Dia santo ele me alisa
Longe dele eu tremo de amor
Na presença dele me calo
Eu de dia sou sua flor
Eu de noite sou seu cavalo

A cerveja dele é sagrada
A vontade dele é a mais justa
A minha paixão é piada
Sua risada me assusta
Sua boca é um cadeado
E meu corpo é uma fogueira
Enquanto ele dorme pesado
Eu rolo sozinha na esteira

hardlove disse...

absynto, tudo bem sobre o link, sinta-se à vontade.

rose, acho que poderíamos criar um blog sm só com letras do chico, não? seria ele um Dom? ;)

pensamentosubmisso disse...

Ahhh só hoje vim te visitar novamente e vi sua pergunta.

Se ele é Dom eu num sabolho, mas que ele sabe exatamente do que uma mulher gosta (certas mulheres), isso ele sabe rsss

Beijos, wowww mas tu é bonito hein??? Vi tua foto vermelha lá no orkut...

Momentos Nossos disse...

Abrimos e abrimos e somos
gosto de vir aqui

{licia}_Kl