[...]
O inglês disse a Simone:
– Agora, trepe nesse rato de sacristia.
Simone tirou o vestido. Sentou-se na barriga do mártir, com o cu perto do cacete mole.
O inglês prosseguiu, falando por baixo do corpo da vítima:
– Agora aperte a garganta dele, justo no canal atrás do pomo-de-adão: uma pressão forte e crescente.
Simone apertou: um tremor crispou o corpo imobilizado, e o pau se ergueu. Agarrei-o e o introduzi na carne de Simone. Ela continuava apertando a garganta.
Ébria até o sangue, a jovem remexia, num vaivém violento, o pau duro no interior da sua vulva. Os músculos do padre retesaram-se.
Por fim, ela o apertou com tanto vigor que um violento arrepio fez estremecer o moribundo: ela sentiu a porra inundar sua boceta. Então Simone o largou, derrubada por uma tempestade de prazer.
Simone permanecia sobre as lajes, de barriga para cima, com o esperma do morto escorrendo pelas coxas. Deitei-me para fodê-la também. Estava paralisado. Um excesso de amor e a morte do miserável tinham-me esgotado. Nunca fiquei tão satisfeito. Limitei-me a beijar a boca de Simone.
A moça teve vontade de contemplar a sua obra e me afastou para se levantar. Montou outra vez, de cu pelado, em cima do cadáver pelado. Examinou o rosto, limpou o suor da testa. Uma mosca, zumbindo num raio de sol, voltava incessantemente para pousar no morto. Ela enxotou mas, de repente, soltou um gritinho. Tinha acontecido algo estranho: pousada no olho do morto a mosca se deslocava lentamente sobre o globo vítreo. Segurando a cabeça com as duas mãos, Simone sacudiu-a, tremendo. Eu a vi mergulhada num abismo de pensamentos.
Por mais estranho que possa parecer, nós não estávamos preocupados com o modo como essa história poderia acabar. Se algum intrometido tivesse aparecido, não teríamos deixado tempo para a sua indignação... Não importa. Simone, desperta de seu entorpecimento, levantou-se para se juntar a Sir Edmond, que se encostara a uma parede. Ouvia-se a mosca voar.
– Sir Edmond – disse Simone, colando a face no ombro dele –, você vai fazer o que eu pedir?
– Vou... provavelmente – respondeu o inglês.
Ela me levou até o morto e, ajoelhando-se, levantou as pálpebras e abriu completamente o olho sobre o qual a mosca havia pousado.
– Você está vendo o olho?
– E daí?
– É um ovo – disse ela, com toda simplicidade.
– Aonde você quer chegar?
– Quero me divertir com ele.
– E o que mais?
– Levantando-se, ela parecia incendiar-se (estava, então, terrivelmente nua).
– Escute, Sir Edmond, quero que você me dê o olho já, arranque-o.
Sir Edmond não estremeceu, tirou uma tesoura da carteira, ajoelhou-se, recortou as carnes, depois enfiou os dedos na órbita e extraiu o olho, cortando os ligamentos esticados. Colocou o pequeno globo branco na mão de minha amiga.
Ela contemplou a extravagância, visivelmente constrangida, mas sem qualquer hesitação. Acariciando as pernas, fez o olho escorregar por elas. A carícia do olho sobre a pele é de uma doçura extrema... com algo de horrível como o grito do galo!
Simone, entretanto, divertia-se, fazendo o olho escorregar na rachadura da bunda. Deitou-se, levantou as pernas e o cu. Tentou imobilizar o olho contraindo as nádegas, mas ele saltou – como um caroço entre os dedos – e caiu em cima da barriga do morto.
O inglês tinha-me despido.
Joguei-me sobre a moça e sua vulva engoliu meu pau. Eu a fodi: o inglês fez o olho rolar entre nossos corpos.
– Enfie-o no meu cu – gritou Simone.
Sir Edmond enfiou o olho na fenda e empurrou.
Por fim, Simone se afastou de mim, tirou o olho das mãos de Sir Edmond e o introduziu na boceta. Puxou-me nesse momento para junto dela, beijou o interior de minha boca com tanto ardor que tive um orgasmo: minha porra espirrou nos seus pentelhos.
Levantando-me, afastei as coxas de Simone: ela jazia no chão, de lado; encontrei-me então diante daquilo que – imagino – eu sempre esperara: assim como a guilhotina espera a cabeça que vai decepar. Meus olhos pareciam estacados de tanto horror; vi, na vulva peluda de Simone, o olho azul-pálido de Marcela a me olhar, chorando lágrimas de urina. Rastros de porra no pêlo fumegante conferiam a esse espetáculo um aspecto de dolorosa tristeza. Mantive afastadas as coxas de Simone: a urina ardente escorria por baixo do olho, sobre a coxa estendida no chão...
[...]
(Trecho de A História do Olho, de Georges Bataille)

1 comentários:
Infelizmente não tenho msn, tenho somente Orkut, se quiser me adiciona. lá vc me encontra como cores proibidas.
abraços,
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