A Meus pés, de joelhos, cabeça baixa, à Minha frente, à espera de algo Meu que ele não tem certeza do que será. O seu olhar baixo, fixo em Minhas botas, a sua vida, ali, à mercê da Minha vida. Eu Me pergunto se ele sabe a dimensão da sua grandeza, o quanto ele significa para tanta gente. Um homem de poder, um rei, um homem com tantos outros homens a viver de joelhos sob seus caprichos e suas vontades, esse mesmo homem ajoelhado diante do Meu capricho e da Minha vontade. Um rei a Me chamar de Mestre, Eu, Um entre tantos plebeus. Qual a força que Eu exerço sobre o coração desse homem? Desejo, amor? Por que justo a Mim ele se entregou? Eu Me excito com a sua subserviência, é um orgasmo vê-lo em silêncio, indefeso, aguardando uma ordem Minha. ele nem sequer Me questiona. Tenho a impressão de que Eu controlo tanto a sua vida que poderia determinar o fim dela. ele morreria para o Meu prazer. Porque ele é Meu, como são Minhas estas botas que aquecem os Meus pés.
Mas ele é forte, Eu sei e vejo. Vejo que é forte para além do que seus músculos fazem supor. E ele é sábio. Às vezes, em momentos em que sou mais Meu plebeu que seu Mestre, chego a temer transparecer alguma ignorância e permitir que seu íntimo caçoe de Mim. Eu sei que o domino porque posso, porque é de Minha natureza estar acima e da natureza dele estar abaixo, mas sei também que o domino porque ele quer. Eu reflito sobre sua submissão, sobre seus limites, sobre nossos limites, e penso como será se ele Me contestar, como será se ele ficar em pé e Me encarar. Será que desmorono? Será que o venço e o coloco de novo de joelhos? Que força sua submissão exerce sobre Mim? Será que Eu o amo? E sou Mestre ou escravo desse amor? Porque Eu sou Dono incontestável desse homem a meus pés; esse homem que, de joelhos, de olhos baixos, espera a Minha ordem. Mas ele é um rei. Esse homem é um Rei, eu sei. (h.l.)

1 comentários:
Bem real quanto ao que sente um Dom as vezes... Pelo menos os que são sinceros e admitem.
Gostei... bem escrito...
Abraços
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